NEM MAIS, NEM MENOS (ENERGIA VITAL)
Excesso de energia, deficiência de energia?
Nenhum dos dois presta. Excesso entope, deficiência esvazia; energia vital
fluindo é que faz a estrela brilhar.
Mas o que é mesmo energia vital? Para os
chineses Chi, para os japoneses Ki, para os hindus Prana, algo que diferencia a
vida da morte, o que tem alma do que não tem. Viver é ter Chi em todas as
partes do corpo, morrer é perder o Chi. O conceito de Chi harmonioso engloba
todos os contrastes, e este equilíbrio interno, completado pelo equilíbrio com
o meio externo, gera uma vitalidade positiva que protege o corpo dos fatores
negativos. As doenças resultam do conflito entre o Chi e esses fatores.
São três as origens do Chi: A primeira vem dos
pais, no momento da concepção; vai sendo gasta aos poucos e não se renova. A
segunda vem do alimento e a terceira do ar; estas são gastas o tempo todo e se
renovam quando comemos e respiramos.
Aos ouvidos ocidentais esse papo de Chi pode
soar como algo abstrato, mas na prática tradicional da medicina chinesa ele é
uma realidade física, que pode ser manipulada por um mestre tamo quanto um
dente por um dentista. Basta ao médico sentir os pulsos do paciente para saber
se os meridianos de energia estão cheios ou vazios e o que isto significa, a
tal ponto que mesmo uma gravidez de duas semanas pode ser diagnosticada assim.
A suprema arte da manipulação do Chi, ou da energia vital, se chama Chi Kun. É
geralmente exercida por pessoas que conseguem tornar seus corpos duros como aço
ou emitir vibrações que cortam blocos de mármore; quando utilizam essa arte na
medicina, atuam sobre os sistemas de energia do paciente até sem tocá-los.
Mas quem não é monge nem sabe ler pulsos também
pode começar a perceber as variações do fluxo energético através de suas
manifestações mais evidentes, os sintomas. Assim como um jardineiro percebe uma
planta doente e relaciona isso com as condições de sol, sombra, água, terra ou
vento, qualquer pessoa sensível descobrirá seus pontos vulneráveis observando
sua própria natureza a partir das dicas chinesas.
* Para um velho médico chinês, alguém que
sonhou com cogumelos pode estar mal em Madeira; se brigou por causa deles,
então, pior ainda; e se a briga provocou um corte, só os deuses conseguem
salvar.
* Como o sol, que a cada momento do dia ilumina
de forma diferente as partes de uma casa, a recarga energética atua sobre os
nossos cinco setores em diferentes horários. Nesses períodos, que duram mais ou
menos duas horas, os sintomas de desequilíbrio costumam melhorar ou piorar.
* Verde, verde-azul e violeta são as cores de
Madeira; vermelho e púrpura as de Fogo; amarelo e laranja as de Terra; branco,
bege e cinza-claro são as cores de Metal; azuI-escuro e preto as de Água. A
preferência ou intolerância pelas cores, seja nas roupas, na decoração da casa,
na cor do carro ou na comida, revela em que setor está a tensão da pessoa -
seja por excesso de energia, e então ela não consegue deixar de manifestar
externamente a cor, seja por deficiência, quando ela intuitivamente procura
absorver a cor.
* Emoções, contidas ou escancaradas, são tão
reais quanto qualquer coisa que se possa ver, cheirar, chutar. Assim como beber
um litro de cachaça ou comer um vidro de pimenta faz mal ao fígado, sentir
raiva em excesso também faz.
Mais um passo, herói: venha ver de perto como
este mundo se arruma em Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água.
Manual do Herói - Sonia Hirsch