A PARÁBOLA DA FLOR DE LÓTUS E O PÁSSARO VAIDOSO
Havia uma floresta exuberante, onde vivia um pássaro
conhecido por sua vaidade e orgulho. Ele se considerava o mais belo e livre de
todos os animais, menosprezando aqueles que eram diferentes. Voava de flor em
flor, porém, apenas se interessava por aquelas de cores vivas e perfumes
agradáveis, ignorando as simples, pequenas ou sem cheiro, que considerava
inferiores e sem graça.
Um dia, o pássaro avistou uma flor singular. Era uma flor de
lótus, grande, branca e sem perfume, com um formato que lembrava uma estrela.
Curioso, o pássaro se aproximou e questionou:
- Que flor é você? De onde veio? Por que é tão diferente?
A flor respondeu com suavidade:
- Sou uma flor de lótus. Vim de longe, de um grande rio.
Minha origem na água me diferencia, mas não me torna inferior.
Surpreso, o pássaro exclamou:
- Como pode uma flor nascer na água? Isso é impossível! Água
é fria, escura e suja.
A flor de lótus, serena, explicou:
- A água é fresca, clara e pura. Ela me dá vida, permitindo
que eu cresça e floresça.
O pássaro, irritado, retrucou:
- Você não sabe do que fala! A terra é onde a vida prospera,
onde a beleza e variedade se manifestam. Você, sem cor, sem cheiro, é
insignificante!
A flor de lótus, firme, respondeu:
- Você é um pássaro sem sabedoria, respeito e amor. Sua
arrogância e preconceito o cegam.
Furioso, o pássaro avançou para atacar a flor, mas foi
impedido por seus espinhos. Surpreso e ferido, o pássaro questionou a flor, que
disse com firmeza:
- Sou uma flor que possui espinhos para proteger-se daqueles
que pretendem causar-lhe mal. Ensino-te esta lição não por vingança, mas por
amor ao próximo. Não julgues pela aparência nem pelas diferenças. Não desprezes
o desconhecido nem as origens singulares. Aprende a enxergar a beleza e o valor
em todas as coisas, e a respeitar e amar todas as criaturas.
Assim, o pássaro absorveu a lição e arrependeu-se de sua
arrogância. Pediu perdão à flor de lótus, que o concedeu sem hesitação.
Tornou-se um pássaro mais sábio, humilde e compassivo, voando de flor em flor
sem discriminação. Apreciava e valorizava cada ser da natureza, vivendo em
harmonia e paz, mas jamais esquecendo a flor de lótus, que lhe proporcionara
uma lição de vida.
